Blog do Melo ou Pílulas de Reflexão

Opiniões sobre o ambiente enxadrístico em geral.

12/5/08

Quem anda com os tortos, parece que anda torcido

          A matreirice política de Benedito Valadares, interventor em Minas por longos quinze anos, bem (ou mal) aconselhava: "Só realize reunião quando tiver decidido tudo antes. Reunião é feita para aprovar."

          E nada mais garantido para que tudo esteja de antemão aprovado do que uma penca de procurações emitidas por inocentes (ou coniventes) úteis.

          Assim, bem a propósito, elas todas estavam ali sobre a mesa da assembléia que iria examinar as contas anuais da Federação Paulista de Xadrez, no recém findo abril.

          Vamos a elas:

          a) o presidente(?) da FPX com seu lote de procuração dos seguintes clubes:

          1 - Clube de Xadrez São Paulo

          2 - Fadesp Campo Limpo Paulista

          3 - Clube de Xadrez Cubatão

          4 - Sorocaba Xadrez Clube

          5 - Associação Luso-Brasileira de Bauru

          b) O vice-presidente de Arbitragem também com seu lote proveitoso:

          6 - Associação A Hebraica de São Paulo

          7 - Automóvel Clube de Rio Preto

          8 - Associação Birigui de Xadrez

          9 - O vice-presidente da Diretoria e primeiro O.I. pátrio, que representava o 64 Chess Club de fantasmagórica aparição

          10 - presente o Herman Claudius pelo Clube Pinheiros

          11 - presente também Eduardo Marques de Oliveira, pelo Centro Cultural e Recreativo XIII de Agosto de Jundiaí.

          Portanto, dos onze votos manifestados, uma penca de nove por procuração era a garantia prévia para que os usos e abusos da contabilidade federativa ficasse a salvo de quaisquer arroubos de questionamento mais idôneo e menos comprometido com o mandatário de plantão.

          Apenas a voz solitária do representante de Jundiaí ousava pôr em dúvida aquele estranho "resumo" exibido a título de balanço anual. O mais notável era que nenhum centavo dos R$ 1.400.000,00 auferidos dos cofres federais mereceu a mais leve menção. Simplesmente, evaporaram-se das contas federativas.

          Talvez um sopro de esperança em prol (ops!) da transparência moralizadora possa advir da atitude da excelentíssima procuradora da República, Dra. Camila Ganthous, que abriu procedimento administrativo para apuração de malversação dos recursos públicos oriundos do Convênio 332/2006, SIAF 577.568, firmado entre o Ministério do Esporte e a FPX para implantação dos tais núcleos de esporte educacional no município de Americana.

          Agora, para cada um daqueles inocentes (ou coniventes) úteis que prestam vassalagem ao mandatário de plantão, vale o dito de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, barroco no estilo e contemporâneo na lucidez:

          "De tanto andares com os tortos, parece que andas torcido."                     

criado por galeriadexadrez    1:19 — Arquivado em: Sem categoria

30/4/08

Pedras no sapato da patota do faz-de-conta.

          Ele ali é visto como uma autêntica pedra no sapato. Naquele dia, no entanto, ele se superou: mais pareceu uma pedra na vidraça daquele edifício mal conservado, velho de guerra das Perdizes.

          Munido de seu estoque de pedrinhas, ele adentrou no prédio por volta das 17 horas, final da tardezinha daquele dia deste abril, e lá já estavam reunidos, na távola retangular do sétimo andar, a patota bem conhecida: o anfitrião Orange, o Chessfão e mais alguns capitaneados como o Carrasco (que não é o Walcy), o Salame (que não é o da Perdigão), entre outros menos cotados.    

          Ao chegar, ele foi recepcionado pela Cláudia (que não é a Raia, mas tão simpática quanto), sempre cordata a oferecer um cafezinho.

          Mas ele foi pego de chofre pela intervenção do Orange, a enfatizar que a assembléia da Facçao em Prol do Xadrez começaria somente às 19 horas. Disse que naquela hora estava em andamento reunião privativa da diretoria, cujos sapatos, ao que parece, não estavam ainda preparados a suportar uma invasão de pedras.   

          Apanhado de surpresa, pois - santa ingenuidade! - achava que qualquer representante de entidade filiada à Facção seria bem-vindo a colaborar nas tais reuniões, o nosso Pedra houve por bem acatar o ‘gentil’ convite para se retirar.    

          "Antes de sair, perguntei ao Orange se poderia, numa sala separada, consultar os documentos da prestação de contas, prevista na ordem do dia. Fiz ver que durante a assembléia talvez não dispusesse de tempo hábil para tanto."

          "Claro que não pode, respondeu o outro, só o presidente da mesa é quem tem autoridade para autorizar."

          "Mas o presidente da mesa vai ser você mesmo!", rebateu o nosso Pedra.

          É neste ponto que o diálogo foi interrompido pelo Carrasco (que não é o Walcy), acudindo o coleguinha de ’txurma’, num acesso de descompostura, "seu bosta, quem você pensa que é? Meça seu tamanho!", e mais impropérios, palavreado chulo.

          O Pedra, não entanto, não se apequenou:

          "Você tem só tamanho".

          "Tenho tamanho e atitude".

          O Pedra não se conteve, "perguntei se além dessas duas qualidades, ele tinha também o peito de aço. Antevi uma possível cabeçada em legítima defesa".

          O Orange, atônito, conseguiu apartar o Carrasco (que não é o Walcy), "e fui então tomar meu lanche ali perto na Praça Oeste".

          "Retornei às 19 horas, noitinha, quando começou a convocada assembléia da Facção em Prol do Xadrez: ali estavam o Chessfão, incorporando o ectoplasma do 64, o Carrasco (que nunca seria o Walcy) à frente do automóvel clube (que não é o Paulista), o Herman (que já não é de Araujo), gestor  gabaritado do xadrez pinheirense, e além disso, tome procuração daqui, procuração dali, procuração dacolá. Afinal, nada como se garantir na conservação do velho feudo.

          "Solicitei vista dos documentos submetidos à apreciação dos presentes. O Orange exibiu, então, um resumo (?!) dos gastos efetuados em 2007. Pedi que fossem exibidas as notas fiscais e comprovantes das despesas. Intrigou-me a menção de compras de computadores e relógios (sempre eles) de xadrez. Qual a quantidade? Quem vendeu? Qual o preço de cada peça?.

          "O Orange não soube ou não quis esclarecer, eis que a documentação estaria com o contador, e que eu não detinha poderes a essa averiguação. Exigi, então, que o meu pedido e a recusa constassem da ata, assim como minha reprovação das contas submetidas à análise".

          O Orange se indignou: "Fique sabendo que o Conselho Fiscal aprovou tudo!"

          O nosso Pedra pensou com seus botões: o conselheiro Garcez (que nunca chegará a Lucas Nogueira), o conselheiro Marcos (que não é o grande palmeirense, ali quase vizinho) e o conselheiro Vinicius (que não é o De Moraes) devem piamente acreditar no que não é verdadeiro. Fazem o coro dos inocentes úteis, ou dos úteis nem tão inocentes assim.

          "Ao final as contas foram aprovadas com a minha ressalva. Foi então que se seguiram os confetes  do Chessfão, as purpurinas do Salame e as lantejoulas do Carrasco a incensarem a administração rendosa do Orange, que agradeceu comovido aos coleguinhas de ‘txurma’. Mas ele não se esqueceu de mim, o ingrato: disse que eu fico vendo as documentações, e depois saio por aí contando tudo o que vejo lá dentro!"

          O nosso Pedra não sabia se ria ou se chorava em face de tamanha comédia.

          Mas para resguardar direitos, só lhe restou a alternativa de dirigir-se ao distrito policial mais próximo e fazer lavrar o Boletim de Ocorrência de Autoria Conhecida. Que era a derradeira pedrinha do dia no sapato da patotinha do faz-de-conta.

criado por galeriadexadrez    20:07 — Arquivado em: Sem categoria

2/4/08

“O convênio é meu, faço com ele o que bem quiser.”

      O conde Francisco Matarazzo, avô do atual senador Suplicy, quando inquirido numa CPI por suas ligações suspeitas com o getulista Samuel Wainer, do jornal Última Hora, teve de responder ao seguinte questionário do então deputado Carlos Lacerda:

     - Sr. Matarazzo, o senhor deu dinheiro ao Samuel Wainer?

     - Dei, sim - respondeu o conde milionário.

     - E por quê deu? - continuou Lacerda.

     - Ora, o dinheiro é meu, e faço dele o que bem entender…

     O futebolista Kaká, quando questionado a respeito de sua doação anual de dois milhões de reais aos pastores suspeitos da Igreja Renascer em Cristo, teria dito algo nos seguintes termos:

     - Ora, o dinheiro é meu, e eu gasto da forma como bem entender. Se eu quiser passar de helicóptero pela sede da igreja e jogar notas e mais notas o problema é meu…

     Estes são exemplos de como, moralidade à parte, cada qual faz uso do próprio dinheiro da maneira que melhor lhe aprouver. Dinheiro privado, a ninguém é dado o direito de determinar a seu possuidor como gastá-lo assim ou assado.

     Com dinheiro público a história é outra e muito mais séria. Assim é que o cidadão contribuinte tem o direito de questionar o modo como cada centavo de real é dispendido: "Esse dinheiro também é meu, e não se vai gastá-lo como se bem entender."

     Os usos e costumes no trato da verba pública, infelizmente, geram uma cultura de desconfiança em relação a certas entidades que dela se utilizam para fins só na aparência sociais, esportivos e afins.

     É o caso, exemplarmente negativo, do recente convênio da Federação Paulista de Xadrez, que foi autorizada pela autoridade estadual de plantão, a gastar $ 60.000,00 reais no projeto denominado Festival do Interior.

     O público alvo da gastança contratada eram os aficcionados e praticantes de xadrez. O objetivo era incentivar e ampliar tal público até o limite do possível pelos valores envolvidos. Isto é o que rezam os estatutos da entidade, e todos os seus esforços deveriam ser voltados para esse fim.

     No entanto, transcorrida a quinzena da realização e consumação do projeto, que resultados foram alcançados?

     Os números dos dados estatísticos não mentem:

     ABERTO DO BRASIL.

     Público alvo atingido, 64 jogadores. Investimento R$ 4.500,00, ou 7,5% do convênio.

     ABERTO ETAPA 21.

     Público alvo atingido, 78 jogadores. Investimento R$ 1.000,00, ou 1,6% do convênio.

     ABERTO FEMININO.

     Público alvo atingido, 19 jogadoras. Investimento R$ 1.200,00, ou 2% do convênio.

     TORNEIOS FECHADOS.

     Público alvo atingido, 24 jogadores convidados. Investimento R$ 53.300,00, ou 88% do montante do convênio.

     Eis a síntese dos critérios da FPX para o gasto do dinheiro público:

     a) apenas 11% da verba, ou R$ 6.700,00, foram direcionados a um público alvo de 161 jogadores, ou 85% dos participantes. Isto equivale ao investimento de R$ 41,61 por enxadrista.

     b) o restante da verba, 89% ou R$ 53.300,00, foi direcionada a 24 jogadores previamente convidados, que representaram tão somente 15% dos participantes. Isto equivale a investimento de R$ 2.220,00 por enxadrista amigo do rei.

     Esta despudorada concentração da aplicação do dinheiro público (que não é o dinheiro do Conde, nem o dinheiro do Kaká) é uma afronta à finalidade estatutária da entidade.

     Imaginemos, por um delírio, que um raio de bom senso tivesse iluminado as mentes dos dirigentes da federação.

     Imaginemos que os mesmos R$ 53.300,00 - torrados nos dois torneios de convidados amigos do rei - fossem aplicados na realização de mais dez Abertos do Brasil, disseminados por todas as regiões do estado, um por semana, num autêntico festival do interior.

     Com toda a certeza, seria alcançado um público alvo de centenas e centenas de praticantes de xadrez.. E São Paulo levaria pelo menos mais dez jogadores às semifinais do Brasileiro Absoluto. A recordista Itu contribuiria, ela sozinha, com dois ou três desses semifinalistas.

     Mas as mentes desses dirigentes estão longe de delirarem, pois o que as inspiram são a preservação das benesses oriundas dos feudos federativos. Daí a contumaz concentração das verbas públicas conveniadas nos domínios feudais de Rio Preto, de Americana e de Santos.

     Numa hipotética e higiênica convocação pela atual CPI das Ongs, a inquirição revelaria a filosofia que norteia os projetos do suserano mor:

     - Sr. suserano, o senhor torrou quase 90% de 60.000 reais num festival rega-bofe de 24 convidados?

     - É verdade, respondeu o pródigo.

     - E por quê o desperdício de dinheiro público?

     - Ora, o dinheiro é público, mas o convênio é meu. Faço com ele o que bem quiser. Se eu quero investir em rodeio, no turismo cultural em Turim, passear de limousine, o problema é meu. Quem não estiver contente, que arranje seu próprio convênio e faça diferente…

     Neste ponto da encenação o pano baixa. E vai reabrir logo mais nas suseranias de Santos e de Americana.

criado por galeriadexadrez    10:53 — Arquivado em: Sem categoria

22/2/08

Os dirigentes albinos têm medo do sol.

E saiu na página on-line da Federação Paulista de Xadrez mais uma cantilena auto-louvatória que caracteriza as aparições bissextas daquele que, como presidente, é bom enxadrista.

No cantinho sugestivamente alaranjado que lhe reserva o editor, comemora-se a celebração de mais três convênios da entidade com o governo do estado.

Do texto que se desenrola aos trancos e barrancos, num atropelo de vírgulas, pontos e parágrafos, dá para se extraírem algumas considerações que menciono a seguir.

O APRENDIZADO

Ao tornar pública a celebração dos tais convênios, a diretoria da FPX parece estar aprendendo com os dirigentes da Confederação Brasileira de Golfe.

É um bom sinal, mas também é claro que se trata de um aprendizado lento, com muita coisa ainda por assimilar.

Por exemplo, o comunicado bem que poderia não esconder os valores em que estão envolvidos aqueles contratos com o poder público. Vou aqui dar uma colaboraçãozinha no sentido de deixar a coisa mais transparente. Em números redondos, são estes os números que pingarão das burras oficiais:

a) $ 60.000,00 reais para o Festival do Interior (ou riopretense, melhor diria);

b) $ 68.000,00 reais para o Festival Paulista (ou americanense);

c) $ 65.000,00 reais para o Festival Santista (ou do litoral).

A FPX terá, então, algo em torno de $ 200.000,00 reais para serem usados e abusados em prol (ops!) do xadrez.

A CAPACITAÇÃO COMO SACERDÓCIO

E não apenas isso. Já que o presidente bom-enxadrista tanto se ufana agora em proclamar convênios, bem que poderia também retroagir só um pouquinho no tempo e trazer ao conhecimento da patuléia os quase $ 90.000,00 (isto mesmo, noventa mil) reais recebidos da prefeitura de Americana.

Recebidos para quê? Para a sempre desinteressada prática do sacerdócio federativo de capacitar docentes a ensinarem as crianças americanenses a jogar xadrez (aquelas da proclamada sudorese enxadrística).

Graças a esse farto dízimo municipal, espera-se que os voluntariosos docentes tenham se tornado ao menos experts  em arrumar as peças no tabuleiro.

O BALCÃO DE CONVÊNIOS

É espertamente enganosa a afirmação contida no texto de que celebração de convênio com o poder público significa necessariamente credibilidade de qualquer entidade conveniada.

Ter acesso ao balcão de convênios do Terceiro Setor pressupõe muitas vezes conhecer bem o "caminho das pedras", que é uma via de mão dupla, ser favorecido pelo contato certo no lugar certo, o "lóbbizinho" dos interesses privados, uns lícitos, outros nem tão republicanos assim.

É fartamente noticiado que a maioria absoluta dos contratos firmados entre Executivo e Particular não são auditados, isto como uma das consequências da já comentada rarefação de fiscais e analistas do estado brasileiro. Está aí a "CPI das Ongs" a corroborar a existência do problema.

Mas assim é que, quando os azares da sorte faz com que determinado convênio caia no pente fino de uma auditoria,  então vemos que a tal "lisura com que (a FPX) apresenta suas prestações de conta" não resiste a um olhar mais apurado.

Que o diga o eminente conselheiro do TC Renato Martins Costa, que deve ter uma visão mais refinada a cerca do conceito de credibilidade.

A INABILITAÇÃO PARA CONTRATAR

A impugnação das contas da federação pelo Tribunal de Contas por irregularidades documentais merece da parte do presidente bom-enxadrista muito mais que apenas frases de efeito dirigidas à comunidade federada, da qual ele se fez representar e, por tanto, a ela deve explicações.

É claro que tal impugnação, por si só, não impede por ora a assinatura de novos convênios, o que apenas ocorreria em caso da conveniada ser declarada inabilitada a contratar com o estado. E tal inabilitação advém de eventual e reiterado não-atendimento às decisões emanadas do tribunal.

O CALOTE EM SOROCABA

Se o zeloso presidente bom-enxadrista preocupa-se com a credibilidade da entidade que pretensamente dirige, deveria então dar um "pulinho" até a quase vizinha cidade de Sorocaba.

E nessa cidade deveria manter proveitoso entendimento com o dr. João Benedito Martins e com a dra. Roselene Luiz de Oliveira, ambos diligentes procuradores do município local.

A questão é que ambos movem dois processos de execução por dívida fiscal, nos quais aparecem como ré a Federação Paulista de Xadrez. Os números processuais são 602.01.2005.519477-0 e 602.01.2007.525447-0.

São valores pequenos, com poucos zeros à esquerda da vírgula, suficientes para serem quitados com alguma sobra de convênio, quem sabe.

De todo modo, o calote sorocabano não condiz com a apregoada respeitabilidade federativa. Urge eliminá-lo.

O FANTASMA PERMANENTE

Como última consideração extraída do texto do presidente bom-enxadrista, venho mencionar a permanência de um fantasma a assombrar determinada sala do conjunto Babi Barione na capital.

É uma visagem que teima em não desaparecer , e que aparece sempre arrastando uma placa com o número 02.068657-9/001. Este número refere-se a um processo de execução de sentença por falsificação de atas movido por uma enxadrista - esta, sim, de credibilidade - contra a entidade federativa.

E não vale o argumento de que na época os dirigentes eram outros, pois o fio condutor dos rumos da federação continua o mesmo, pela frente ou por trás dos panos.

Quem sabe a contratação de um bom exorcista pudesse resolver a questão…

OS DIRIGENTES ALBINOS

Na Idade Média os curandeiros afirmavam ser a exposição ao sol o melhor remédio para a cura de grande parte dos males. Daí a afirmação célebre do presidente Roosevelt, e que se transformou em epígrafe:

"A luz do sol é o melhor desinfetante".

O problema é que há uma espécie de dirigentes, cuja pele parece sofrer grave carência de melanina.

São os dirigentes albinos, cujas administrações fogem  da luz do sol como o diabo foge da cruz.

Aí não há aprendizado de transparência que prospere. E o golfe vai angariando mais adeptos…

criado por galeriadexadrez    1:57 — Arquivado em: Sem categoria

6/2/08

O fiscal que efetivamente fiscaliza.

"O Brasil não é um país intrinsicamente corrupto. Não existe nos genes brasileiros nada que nos predisponha à corrupção, algo herdado, por exemplo, de desterrados portugueses."

"… Somos, sim, um país onde a corrupção, pública e privada, é detectada somente quando chega a milhões de dólares e porque um irmão, um genro, um jornalista ou alguém botou a boca no trombone, não por um processo sistemático de auditoria."

Os fragmentos acima foram extraídos de artigo de leitura obrigatória do mestre e conferencista Stephen Kanitz, publicado na revista Veja nos idos de 1999, portanto há 9 anos e infelizmente tão atual.

Com o articulista aprendemos que o índice de corrupção de qualquer país é inversamente proporcional ao número de fiscais, auditores e conselheiros de tribunais de conta devidamente formados, treinados e valorizados.

O Brasil tem um índice de cerca de 8 auditores para cada 100.000 habitantes, quando para atingirmos a lisura comportamental de uma Dinamarca, por exemplo, necessitaríamos de 12 vezes mais esse número de analistas.

"A principal função do auditor inclusive nem é a de fiscalizar depois do fato consumado, mas a de criar controles internos para que a fraude e a corrupção não possam sequer ser praticadas."

É aqui que aproveito a ‘deixa’ do mestre Kanitz para falar de Renato Martins Costa.

Renato Martins Costa, para quem ainda não o conhece, é membro do Tribunal Pleno do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Diria eu que ele compõe com eficiência os quadros da rarefeita brigada brancaleone de controle da improbidade nacional.

Uma das atribuições do eminente conselheiro é auditar a prestação de contas de entidades do Terceiro Setor.

Entidades do Terceiro Setor são aquelas que, sem fins lucrativos e não-governamentais, prestam serviços de caráter público.

Uma entidade assim entendida, por exemplo, é a Federação Paulista de Xadrez. Senão, vejamos: é ela de natureza privada? Sim, basta ler seus estatutos.

Presta ela serviços de caráter público? Também sim; temos aí a infância e a juventude americanense a transpirarem xadrez.

Por final, é a FPX entidade sem fins lucrativos? Estamos certo disto, é o que rezam os seus estatutos; afinal, se haverá ali quem lucre, não há de ser o xadrez.

Então, voltando ao eminente auditor do Tribunal de Contas, é dele a relatoria do processo TC-021931/026/07, que trata das contas de um convênio entre uma Secretaria de Estado e a FPX, no valor de R$ 50.000,00.

No exercício de suas atribuções de relator, é também dele a seguinte decisão:

"A documentação juntada nos autos não se presta á comprovação da aplicação dos recursos financeiros transferidos em 2006 pela Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo à Federação Paulista de Xadrez, tendo em vista as irregularidades apontadas pela Auditoria."

A publicação do relatório é de dezembro de 2007, e à Federação Paulista de Xadrez foi dado o prazo de 30 dias para ter bom  juízo.

E ter bom juízo significa, de duas, uma: apresentar esclarecimentos, ou recolher a importância devida.

Ponto para Renato Martins Costa, o fiscal que efetivamente fiscaliza.

Ponto para o meu, o seu, o nosso dinheirinho, que talvez retorne ao lugar do qual nunca assim deveria ter saído.

criado por galeriadexadrez    18:03 — Arquivado em: Sem categoria

1/2/08

Venham a nós, ao vosso reino uma merreca.

E publicou-se o folder da grande Final do Circuito 21 da Federação Paulista de Xadrez. Trata-se de evento bastante incensado pela entidade, com números estatísticos lançados às alturas.

Com base nessas mesmas estatísticas, verifica-se que cresceu o número de etapas e etapinhas, mas levando-se em conta os polpudos recursos auferidos, a premiação final continua chinfrim: $ 2.000,00 reais.

Tomado isoladamente, até que se poderia considerar tal valor bem razoável para os padrões do xadrez nacional.

Entretanto, esses dois mil reais representam, apenas, menos que a terça parte dos quase $ 8.000,00 reais que a federação arrecadou em 2007 com a taxa de 4 reais por cada um dos 1.969 jogadores participantes do circuito.

E a entidade ainda conta com os patrocínios (sempre eles!) da Secretaria de Esportes e da Prefeitura santista.

Põem-se na conta dos jogadores as despesas com o traslado, a hospedagem e a alimentação. Ou seja, tem enxadrista que vai pagar para jogar.

Tais despesas essenciais dos abnegados jogadores bem que poderiam ser, ao menos em parte, custeadas pelos realizadores. As burras da entidade, sempre bem abastecidas, com certeza nem se abalariam com tal benesse.

Mas, qual o que! Isto é puro exercício de imaginação de minha parte.

Mais bem de acordo com a realidade, é esperar que a entidade mande afixar na entrada do salão de jogos, como efusiva recepção aos finalistas participantes, uma faixa com o lema federativo:

"Venham a nós, ao vosso reino uma merreca".

Antes que me esqueça, fica uma observação quase en passant: mais uma vez as disputas serão naquele muquifo da Baixada. Ora, por que não na sede do Clube de Xadrez de Santos, que fica próximo e conta com as seis mesas necessárias?

POST SCRIPTUM:

A página on-line da federação anuncia o adiamento da grande Final, antes marcada para 16 e 17 de fevereiro. Não informa a nova data. Parece, então, que fica sendo sine die. Também não esclarece se o adiamento foi "a pedidos", como o do quase interminado Circuito IRT. Parece, também, que já vi esse filme…

criado por galeriadexadrez    17:37 — Arquivado em: Sem categoria

23/1/08

A efeméride do gênio

Há exatos 56 anos, neste dia 23 de janeiro, surgia para o mundo na sul-riograndense Santa Cruz aquele que viria a fazer parte do rarefeito panteão de gênios da cultura esportiva nacional (Maria Ester Bueno, Éder Jofre, Guga…).

Refiro-me a Henrique da Costa Mecking, o Mequinho de brasileiríssima alcunha.

No seu currículo fora de série, estão dois títulos Interzonais, o primeiro no Brasil, aos 21 anos, o segundo nas Filipinas, aos 25; campeão sul-americano aos 14 anos; campeão nacional aos 13 e 15 anos, chegando a terceiro do mundo no ranking da Fide.

Merecedor de uma popularidade que extravasou em muito os limites tacanhos do nosso ambiente enxadrístico, vamos encontrá-lo até na música popular, referenciado que foi nos versos da canção "Meus Heróis" do saudoso Raul Seixas:

"Quem é que no Brasil não reconhece o grande trunfo do Xadrez?

"Saí pela tangente disfarçando uma possível estupidez.

"Corri para um cantinho para dali sacar o lance de mansinho…

"Adivinha quem era? Mequinho!

Ainda detentor de técnica de alto nível, ainda em plena atividade após sobrepujar os graves problemas de saúde, Mequinho é a única personalidade do Xadrez brasileiro cuja futura notícia de seu falecimento (toc toc na madeira) merecerá destaque de primeira página nos principais órgãos de imprensa do país, a exemplo do recém-finado Bobby Fischer.

Pelo que representa de modo único na história do Xadrez nacional, toda final de Brasileiro Absoluto mereceria ser disputada por Mequinho (convidado permanente) e os outros onze.

Pelo mesmo motivo, toda equipe olímpica brasileira mereceria ser composta por Mequinho (primeiro tabuleiro) e mais os outros três.

Ora, dirão alguns, as exigências e a idiossincrasia do gênio são insuportáveis pela burocracia enxadrística tupiniquim.

Ora, direi eu, danem-se os burocratas! A mediocridade não faz história e o gênio sobrevive.

 

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13/1/08

Perguntar não ofende

A Prefeitura da cidade paulista de Americana sancionou e promulgou em 20 de outubro de 2006 a Lei n. 4.409.

Esta lei traz em seu artigo 1.o o seguinte teor:

"Fica o Poder Executivo autorizado a celebrar convênio com a Federação Paulista de Xadrez, objetivando a implantação de núcleos de esportes no município, com três modalidades cada, de conformidade com o programa denominado "Projeto Segundo Tempo".

Para os ainda desavisados, esse programa "Segundo Tempo" é aquele que propiciou a engorda dos cofres federativos com os expressivos $ 1.400.000,00 reais de incômoda memória.

Mas, considerando que a FPX, como o próprio nome evidencia, tem o xadrez como única modalidade-fim;

E considerando também que a lei exige que a FPX, como entidade convenente, implante naqueles núcleos  TRÊS modalidades esportivas;

Então fica a indagação, e como perguntar não ofende:

Quais, além do xadrez, são as outras duas modalidades  que os dirigentes federativos implantaram como notórios especialistas nos tais núcleos de esportes?

Não vale a piada infame: além do xadrez clássico, a FPX implantou o xadrez 21 e o xadrez relâmpago.

A respeito do mesmo convênio, outras indagações pairam no ar e que serão tema de futuros "posts".

 

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3/1/08

O Xadrez ou o Golfe: uma questão de credibilidade

Afirmei neste blog sob o título "Coisas que se escondem ou não se explicam", a respeito dos R$ 1.400.000,00 conveniados com a FPX, que qualquer empresa ou entidade idônea estaria alardeando aos céus e ao mundo a celebração de convênio de tal magnitude, como um laurel a engrandecer o currículo dos dirigentes.

A respeito do tema, e bem a calhar, dia 28 de dezembro, na coluna "Direto da Fonte", da jornalista Sonia Racy, na página 2 do Caderno Dois d’O Estado de São Paulo, aparece a foto de um gargalhante Álvaro Almeida, que vem a ser o presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

Percebam que o homem comanda uma confederação, e não uma federação local.  Na coluna há o seguinte texto, que transcrevo literalmente:

"O presidente da Confederação Brasileira de Golfe termina o ano sorrindo.  Assinou com a Embratur um convênio de R$800 mil para promover o turismo de golfe brasileiro. É um terreno promissor. Nesse universo ninguém reclama de pagar diárias de US$ 500,00. E o gasto médio, entre brasileiros, é 50% maior que o de turistas convencionais".

Então, vejam a contradição: o presidente de uma confederação de esporte de endinheirados comemora e divulga um convênio de R$ 800 mil para promover turismo de torneios pelo país-continente.

Enquanto isso o presidente da nossa federação local de xadrez, esporte que pode ser praticado até sobre um tabuleiro desenhado no papel com peças que podem ser improvisadas com outros pedacinhos de papel, esconde até onde for possível um convênio de quase o dobro da quantia celebrada entre o mesmo governo e a poderosa co-irmã, capaz de transformar Americana no maior pólo enxadrístico, ao menos do hemisfério sul…

E o golfe cresce e cresce. E o xadrez - com suas premiações miseráveis de torneios jogados em ginásios poeirentos - segue com mídia quase zero e no seu irremediado nanismo.

Aqui comemoramos mídia de 3 minutos na edição de Natal do Globo Esporte, fazendo de conta que não percebemos que foi muito mais por falta de assunto devido á data natalícia do que pelo interesse em falar do Brasileiro Absoluto.

Ainda sobre o assunto, fui visitar a página da Confederação Brasileira de Golfe.

Além deles informarem em destaque sobre o convênio, fiquei surpreso com a diversidade de ações que eles planejam com os 800 mil reais que ganharam de presente.

Imaginem se eles tivessem o poder de fogo da Federação Paulista de Xadrez e levantassem R$ 1.400.000,00, o que não fariam…

Visitei também a página da Federação Paulista de Golfe.

Naveguei na seção de Torneios. Nem vou mencionar a diferença em relação à FPX quanto à organização dos informativos, mas chamou-me a atenção que lá, na federação dos jogadores endinheirados, as inscrições não são "Exclusivamente via internet".

Ao contrário, aqueles que se dirigirem à sede da entidade com a ficha de inscrição preenchida à mão, serão provavelmente bem recebidos e terão sua participação plenamente aceita.

Eis algo para nossa singela reflexão: se em ambos os projetos estão investidos o meu, o seu, o nosso dinheiro de contribuintes, qual deles não dão a percepção de melhor credibilidade: o xadrez ou o golfe?

criado por galeriadexadrez    23:32 — Arquivado em: Sem categoria

Notículas sobre o comentarista de Jurubatuba.

NOTÍCULA 1:

Escrivinhador da penumbra, a fugir do assunto em questão.

NOTÍCULA  2:

Falacioso, sem argumentos para refutar os do interlocutor.

NOTÍCULA 3:

Balbuciador sem sentido, a externar pensamentos sem conexões lógicas.

NOTÍCULA 4:

Anônimo, expõe a covardia que o desqualifica.

criado por galeriadexadrez    22:19 — Arquivado em: Sem categoria
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