11/1/09
Cascas de banana no caminho do Pablyto
(Originalmente, publicado em 26/12/2008)
No Comunicado 285, de 24/12/2008, a Confederação Brasileira de Xadrez anuncia a renúncia do GM Vescoci ao pleito pela presidência da entidade, que ocorrerá dia 29 próximo.
São doze longos parágrafos e nenhuma linha sobre os reais motivos da desistência do mestre.
Em que pese a vilegiatura pelo país e elaboração de um sítio específico, o fato é que a candidatura não cativou a maioria do eleitorado, e nos bastidores a derrota era previamente anunciada.
Ao contrário o que pressupõe o texto, e pela inexperiência administrativa, não é exatamente claro para todos “que ele teria sido um excelente Presidente”, mas é corretamente presumível que “ele (e o xadrez nacional) seria prejudicado se assumisse um encargo tão pesado”.
O Comunicado prossegue com a idéia de se implantar um esdrúxulo Conselho “cuja finalidade não seria diminuir o presidencialismo da CBX, mas sim fazer recomendações, se necessário”. E mais adiante (aqui ajustando o tempo verbal), “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”.
Algumas interrogações, então, saltam ao ar:
Por que o tal ‘Conselho’ não foi implantado no próprio triênio que se encerra? Seria interessante observar como o espírito centralista da atual gestão conviveria com um tal órgão “recomendador”…
Se o objetivo não é querer (mas já querendo, como diria o filósofo Chaves) diminuir o presidencialismo da CBX, por que a advertência ou quase ameaça de “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”? Terá ele, então, poder de emitir voto de desconfiança, incompatível com o regime de presidente?
Por que apenas o patriciado e um representante dos ‘heróis’ deteriam lugar no tal Conselho? Não haverá assento algum para a vastíssima turma da planície, os de ratings inferiores, os jogadores que efetivamente movimentam o xadrez e bancam a estrutura da confederação? Continuarão no último degrau de importância perante a gestão confederativa?
A futura e promissora administração da entidade não pode e não deve se escorar em estranhável acordo costurado no apagar das luzes da atual gestão. Como se dele necessite para se eleger. E para que não tenhamos novo espécime de dublê, desta feita em âmbito nacional.
O verborrágico comunicado mais oculta do que expõe. Podem haver cascas de banana no caminho do Pablyto.
A conferir.
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