11/1/09
A carta aberta que não explica e um convite ao mestre ex-candidato
(Originalmente, publicado em 29/12/2008)
Em carta aberta divulgada no último dia 27, o Grande Mestre Giovanni Vescovi explana sobre a renúncia de sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Xadrez, cujas eleições se realizam hoje, dia 29.
Lançara-se candidato imbuído na crença de que, uma vez eleito, seria o fator de união (a referida ponte) ou, ao mínimo, de conciliação entre as correntes várias (os muros) que perpassam o mundo enxadrístico nacional.
Até aí tudo bem, trata-se de uma personagem nova no cenário político da modalidade, sem um passado que o desgaste ou desmereça.
O que causa estranheza são os motivos que o levaram à desistência do pleito. Alega a possibilidade dos resultados da eleição, por ser equilibrada, desembocarem em questionamentos judiciais posteriores, com repercussão nefasta na modalidade.
De duas uma: ou o mestre sabe mais do que expõe, ou acreditava que seu prestígio pessoal como jogador de elite seria suficiente para galvanizar todo ou quase todo o eleitorado, pulverizando qualquer chapa concorrente, se houvesse. As eleições seriam favas contadas.
Mas o mundo dos gabinetes não é o mesmo dos tabuleiros, e eleição não se ganha apenas porque se tem um currículo pessoal de respeito. Fora assim, várias de nossas federações não estariam sendo vítimas do mesmo “choque” que o mestre candidato pretendia evitar no plano nacional.
Por outro lado, acreditar que o tal Conselho, se instituído, significará um promissor modelo de gestão é próprio deste período de virada de calendário, em que anseios são expressos sem nenhum pé na realidade. Afinal, um órgão que apenas recomendará, sem capacidade deliberativa, será apreciado pelo mandatário de plantão apenas se bem lhe aprouver. Presidencialismo puro é isto. “Mando eu, recomenda quem quer.”
Para terminar, deixo aqui uma sugestão, se algum valor tiver, para o mestre ex-candidato: que tal em 2009, num plano mais local, lançar-se candidato a mandatário da Federação Paulista de Xadrez?
Seria uma iniciativa muito bem vinda, mas para que o mestre possa adentrar vitorioso naquele recinto específico do Conjunto Baby Barione, ao invés da conciliadora ponte, teria ele de adotar como símbolo de campanha o aríete: aquele madeiro pesado com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortaleza. Porque ali o feudo não largará o osso com discurso brando.
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