Blog do Melo ou Pílulas de Reflexão

Opiniões sobre o ambiente enxadrístico em geral.

11/1/09

As diversas definições de Valor

 

              Busco no dicionário o significado de Valor. Pode ser definido como aquela qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito (Houaiss). Seus detentores contribuem para a comunidade dos valores certos.
          Mas há outros significados, quase todos aliás, que nos remetem a dinheiro, ou ‘bufunfa’, no linguajar mais chão. São os incertos valores, em torno dos quais gravitam uma enormidade de interesses, legítimos uns, espúrios outros.
 
No enxadrismo, um exemplo dos valores certos
 
          Salão de jogos do Open de Moratalaz, setembro de 2008.
          Mesa 2 da rodada final: MI Krikor Mekhitarian  vs. GM Alexandr Fier, ambos brasileiros.
          Partida de especial interesse para o GM espanhol Almagro, que perderia o título em caso de vitória do Fier.
          Final de jogo: vitória de Krikor, derrotando não só o compatriota como, também, a suspeita de eventual conluio.
          E os brasileiros receberam os cumprimentos da direção pelo comportamento ético.
 
…e um outro dos incertos valores
 
          Salão de jogos de um  determinado torneio de xadrez em São Paulo, dezembro de 2008.
          Mesa 2 da rodada final: jogadores Alfa (brancas) e Beta (pretas), ambos brasileiros.
          Partida de especial interesse para o jogador Gama, na mesa 1, que perderia o título em caso de vitória de Beta.
          Final de jogo: vitória de Beta em notável sequência de… mate ajudado!!  
          Alfa e Beta receberam o descumprimento da direção, que desqualificou o resultado e determinou a realização de match extra entre Beta e Gama para decisão do título (ao final e justamente ganho por Gama).
           A parte mais complicada da vida é a formação do caráter pessoal. Há fatores de influência positiva e há fatores de influência negativa. Os exemplos acima ilustram ambos os casos.
           Mas a escolha final é sempre de cada invidíduo.
criado por galeriadexadrez    12:55 — Arquivado em: Sem categoria

A carta aberta que não explica e um convite ao mestre ex-candidato

 

(Originalmente, publicado em 29/12/2008)
 
          Em carta aberta divulgada no último dia 27, o Grande Mestre Giovanni Vescovi explana sobre a renúncia de sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Xadrez, cujas eleições se realizam hoje, dia 29.
          Lançara-se candidato imbuído na crença de que, uma vez eleito, seria o fator de união (a referida ponte) ou, ao mínimo, de conciliação entre as correntes várias (os muros) que perpassam o mundo enxadrístico nacional.
          Até aí tudo bem, trata-se de uma personagem nova no cenário político da modalidade, sem um passado que o desgaste ou desmereça.
          O que causa estranheza são os motivos que o levaram à desistência do pleito. Alega a possibilidade dos resultados da eleição, por ser equilibrada, desembocarem em questionamentos judiciais posteriores, com repercussão nefasta na modalidade.
          De duas uma: ou o mestre sabe mais do que expõe, ou acreditava que seu prestígio pessoal como jogador de elite seria suficiente para galvanizar todo ou quase todo o eleitorado, pulverizando qualquer chapa concorrente, se houvesse. As eleições seriam favas contadas.
          Mas o mundo dos gabinetes não é o mesmo dos tabuleiros, e eleição não se ganha apenas porque se tem um currículo pessoal de respeito. Fora assim,  várias de nossas federações não estariam sendo vítimas do mesmo “choque” que o mestre candidato pretendia evitar no plano nacional.
          Por outro lado, acreditar que o tal Conselho, se instituído, significará um promissor modelo de gestão é próprio deste período de virada de calendário, em que anseios são expressos sem nenhum pé na realidade. Afinal, um órgão que apenas recomendará, sem capacidade deliberativa, será apreciado pelo mandatário de plantão apenas se bem lhe aprouver. Presidencialismo puro é isto. “Mando eu, recomenda quem quer.”
          Para terminar, deixo aqui uma sugestão, se algum valor tiver, para o mestre ex-candidato: que tal em 2009, num plano mais local, lançar-se candidato a mandatário da Federação Paulista de Xadrez?
          Seria uma iniciativa muito bem vinda, mas para que o mestre possa adentrar vitorioso naquele recinto específico do Conjunto Baby Barione, ao invés da conciliadora ponte, teria ele de adotar como símbolo de campanha o aríete:  aquele madeiro pesado com ponta recoberta de ferro, usado para romper portas de fortaleza. Porque ali o feudo não largará o osso com discurso brando.
criado por galeriadexadrez    12:47 — Arquivado em: Sem categoria

Cascas de banana no caminho do Pablyto

 

(Originalmente, publicado em 26/12/2008)
          No Comunicado  285, de 24/12/2008, a Confederação Brasileira de Xadrez anuncia a renúncia do GM Vescoci ao pleito pela presidência da entidade, que ocorrerá dia 29 próximo.
          São doze longos parágrafos e nenhuma linha sobre os reais motivos da desistência do mestre.
          Em que pese a vilegiatura pelo país e elaboração de um sítio específico, o  fato é que a candidatura não cativou a maioria do eleitorado, e nos bastidores a derrota era previamente anunciada.
          Ao contrário o que pressupõe o texto, e pela inexperiência administrativa, não é exatamente claro para todos “que ele teria sido um excelente Presidente”, mas é corretamente presumível que  “ele (e o xadrez nacional) seria prejudicado se assumisse um encargo tão pesado”.
           O Comunicado prossegue com a idéia de se implantar um esdrúxulo Conselho  “cuja finalidade não seria diminuir o presidencialismo da CBX, mas sim fazer recomendações, se necessário”. E mais adiante (aqui ajustando o tempo verbal), “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”.
           Algumas interrogações, então,  saltam ao ar:
           Por que o  tal ‘Conselho’ não foi implantado no próprio triênio que se encerra? Seria interessante observar como o espírito centralista da atual gestão conviveria com um tal órgão “recomendador”…
           Se o objetivo não é querer (mas já querendo, como diria o filósofo Chaves) diminuir o presidencialismo da CBX, por que a advertência ou quase ameaça  de  “que ele (o tal Conselho) nunca precise fazer uma recomendação”? Terá ele, então, poder de emitir voto de desconfiança, incompatível com o regime de presidente?
          Por que apenas o patriciado e um representante dos ‘heróis’ deteriam lugar no tal Conselho? Não haverá  assento algum para a vastíssima turma da planície, os de ratings inferiores, os jogadores que efetivamente movimentam o xadrez e bancam a estrutura da confederação? Continuarão no último degrau de importância perante a gestão confederativa?
           A futura e promissora administração da entidade não pode e não deve se escorar em estranhável acordo costurado no apagar das luzes da atual gestão.  Como se dele necessite para se eleger. E para que não tenhamos novo espécime de dublê, desta feita em âmbito nacional.
           O  verborrágico comunicado mais oculta do que expõe. Podem haver cascas de banana no caminho do Pablyto.
           A conferir.
criado por galeriadexadrez    12:41 — Arquivado em: Sem categoria

O FMAgate de lá e o Papai Noel daqui

 

(Originalmentee, publicado em São Paulo, 19-12-2008)

O FMAgate de nossos hermanos

          A entidade pública argentina denominada Instituto Provincial de Jogos e Cassinos doou 50 mil pesos à Federação de Xadrez de Mendoza (FMA) para organizar o Campeonato nacional absoluto desse esporte em maio deste ano.

          Naquela ocasião, entre o organismo público e a entidade privada havia algo mais que uma boa relação: os dois eram presididos pela mesma pessoa, Daniel Pereyra. Ou seja, ele fez doação de verba pública para si próprio.

          Segundo a nota da federação, o dinheiro serviu para custear os gastos de “organização, estadia, prêmios, arbitragem, passagens e alimentação dos jogadores”.

Mais doação

          Ao mesmo tempo o poder Executivo local, através da Secretaria de Esportes, também entregou outra importante soma de dinheiro – 52 mil pesos - à mesma Federação.  Com que finalidade? Exatamente também para custear as mesmas despesas do mesmo campeonato nacional absoluto.

A terceira doação

          Houve ainda mais um subsídio – 15 mil pesos - autorizado diretamente pelo próprio governador da província, com vistas  a realização do mesmo(!!!!) campeonato.

O dirigente que lá também transpira xadrez

          Daniel Pereyra é um homem influente no mundo do xadrez argentino. Seu pai foi um jogador destacado e quem conhece o presidente do Instituto assegura que “aonde vai, ele leva o xadrez”. Por isso, quando foi reitor da Universidade do Congresso ali se realizavam os torneios mais importantes.
          Dentro do Poder Executivo da província de Mendoza, Pereyra tem um contato privilegiado com o Governador. Segundo contam quem os conhecem, o chefe do Executivo tem plena confiança nessa amizade que se mantém desde que ambos eram estudantes universitários.

O inquérito

           As graves suspeitas de corrupção no xadrez argentino, o chamado FMA-gate, numa clara alusao ao Watergate americano, recheiam as páginas do Diário Los Andes e são investigadas pela Contadoria Geral.

          A quem se interesse pelos pormenores do caso, com mais análises e fotos dos envolvidos, clique no link para a mídia local:

          http://www.notichess.com.ar/noviembre/FMAgate.htm

         Ao final das contas,  ainda bem que isto são coisas que não acontecem por aqui…

O PRESENTE DE PAPAI NOEL DAQUI

           É simplesmente inexplicável (ou até se explique de uma forma impublicável aqui) como a FPX, entidade federativa de xadrez com a melhor receita do país, advinda da salgada anuidade dos filiados e dos polpudos repasses regulares da confederação, e auto-incensada como “uma das maiores Federações de Xadrez da América Latina”, não consegue realizar um único evento oficial, mesmo com módica premiação, sem se valer da captação de recursos públicos.

          Assim é que o ano de 2008 já quase se encerra, mas no apagar das luzes o governo do estado, por meio de sua Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer, concede um mimo à FPX, para que esta realize dois eventos que estavam fadados a gorar no calendário oficial: o Paulista do interior e o Paulista relâmpago.

          Restou para as calendas gregas o Paulista de Veteranos, desprestigiado como sempre.

          Desta vez são $ 30.000,00 reais para o regabofe natalino que se transcorre de 19 a 21 de dezembro em Santos.

          Convenhamos, não é muito, perto do vertedouro de dinheiro público que abasteceu as burras federativas ao longo dos onze meses anteriores.

          Mas é o bastante para tornar farta e caprichada a ceia dos mandarins, mormente nesses ares de crise e com o dólar nas alturas. Salvam-se assim as nozes e avelãs importadas…

          E salvam-se também otras cositas más, como diria o impoluto hermano Dario Pereyra se aqui prestasse consultoria de gestão de recursos públicos.

          A desfaçatez de agora é que apenas $ 3.700,00, ou doze por cento (!!) daqueles trinta mil presenteados, chegarão efetivamente ao público alvo, que são os enxadristas que se dispuserem a jogar os dois torneios assinalados. Eles devem se contentar com as sobras do valor captado.

          Os restantes 88% comporão o transparente cenário da devida prestação de contas futura.

           Mas haverá sempre a convincente explicação:  há que se atender aos inevitáveis custeios de gastos, como banners, camisetas, dispendiosas páginas na internet.

          Não se deve olvidar o inescusável dispêndio com a “equipe FPX” . Afinal vão ali cachês, transporte, estadia, alimentação, tudo em tratamento VIP.

          Não se excluem gastos com a eficiente assessoria de imprensa, a elaborar “releases” para as editorias de importantes mídias do estado.

          E haverá sempre de se socorrer do auxílio inestimável dos colaboradores terceirizados, aqueles costumeiros parceiros especialistas em “administração e participação”, “comunicação visual”, “gráfica e confecção”, etc. e etc.

          Feitas as contas, é quase uma proeza de gestão levar tudo a bom termo com apenas os 27 mil reais que pingaram do saco do Papai Noel, já compensados os caraminguás das premiações.

          Mas isto não surpreende a quem sabe reconhecer que os destinos do xadrez paulista são orientados por aquele que se autodescreve como  um experiente "que há 36 anos desenvolve o trabalho em prol (ops!) do xadrez. 

 

 

criado por galeriadexadrez    12:20 — Arquivado em: Sem categoria
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