Blog do Melo ou Pílulas de Reflexão

Opiniões sobre o ambiente enxadrístico em geral.

30/11/08

O Voto que constrange e a transpiração como farsa

          A página on line da Confederação Brasileira de Xadrez anuncia para o dia 29 de dezembro a data das eleições para renovação da diretoria da entidade.

          Há pelo menos dois nomes autodeclarados candidatos a dirigente máximo do xadrez nacional. Ambos advogados, jovens, mas com atuações diferenciadas no mundo enxadrístico: um deles como mestre no tabuleiro, o outro como árbitro e dirigente federativo.

          Pablyto Baioco Ribeiro (ler entrevista), árbitro e dirigente, expõe um currículo de realizações à frente da federação espíritossantense e alinhava um rol de propostas para o triênio 2009-2011, caso eleito. Compromete-se a dar continuidade à gestão honesta que se finda, reformulando-a nos pontos e atitudes  questionáveis, que sempre os há.

          Giovanni Vescovi , em que pese a inexperiência administrativa, constrói um sítio específico para divulgação de suas idéias e projetos. As páginas se revestem de gala na forma, mas o conteúdo, embora abrangente, é genérico, sem explicitar prioridades, talvez uma forma de não correr o risco de contrariar expectativas em face de um eleitorado restrito mas de interesses e anseios discrepantes, dado o desnível patente entre as federações regionais.

          Ambos os candidatos, por estratégia de campanha, não deixam transparecer seus grupos apoiadores, que certamente existem, mas do rol de federações com direito a voto, a única que explicita sua preferência é a do Rio de Janeiro, com tietagem escancarada em prol do mestre. 

          Fica a dúvida se a qualidade deste apoio se traduz em benefício ou em prejuízo do candidato, tal a natureza controvertida da administração federativa carioca.

         Com efeito, definiria como constrangedor o voto de uma entidade em que, como exemplo de incúria, partidas de torneio oficial são anotadas em papel de pão e cujos dirigentes, por ação e omissão, “estão se esmerando… em prol da decadência do xadrez do Rio de Janeiro.” (Blanco).

          Mas pode ser que o nosso mestre candidato endosse a tese do assessor especial de Lula, Marco Aurélio Garcia, que, indagado sobre o apoio de mensaleiros a seu chefe, afirmou que “constrangimento é não ter voto”. Tudo conviria, desde que se traduza em vantagem nas urnas.

          Mas com apoio de tal jaez, o perigo são as contrapartidas que o voto que constrange exigirá do mestre, caso vitorioso no pleito.

A TRANSPIRAÇÃO COMO FARSA

          Num envergonhado mea-culpa, a Federação Paulista de Xadrez informou na barafunda de sua página on line, os resultados do "grandioso"  torneio escolar de Americana, a cidade para onde foram destinados o milhão e meio de reais que possibilitariam a suas crianças e adolescentes, uma inédita e transformadora transpiração enxadrística. 

          Assim rezava a profecia do dublê de presidente.

          Isto sem contar os caraminguás das dezenas de milhares de reais de verba municipal para os sempre rendosos cursos de capacitação.

          Estiveram na competição quatro categorias de jogadores, de Sub 8 a Sub 14, meninos e meninas disputando a mesma prova, cuja a soma mal alcançou 71 jogadores, com a Sub 14 reunindo tão-somente 10 (dez!) jogadores.

          Para atender essa demanda de transpirantes atletas, e para que a arbitragem não necessitasse em nenhum momento de suar a camisa, a organização designou nada menos que 13 (treze!) árbitros! Quase um atendimento personalizado, mesa a mesa.

          Mas o melhor (ou o pior) vem na seqüencia, no formato de uma matéria jornalística chapa branca ornada por fotos pouco ilustrativas. Somos informados que "uma vez por semana, cada escola recebe um monitor - capacitado em curso ministrado por Luiz Loureiro, o Polivalente, que atende duas turmas de alunos em sessões de uma hora e meia"  (quanta transpiração!).

          Mais adiante ficamos sabendo que "cada escola tem, além de jogos e tabuleiros em tamanho e peso oficiais, dois murais magnéticos e dois (apenas?!) relógios de xadrez. Além disso, esclarece que há dois exemplares do xadrez gigante, alternados semana a semana entre as escolas (ora, alternância com tanta verba disponível?)

          No fim, tenta-se justificar o número pequeno de jogadores: "para a primeira edição, preferiu-se limitar (?) o número de inscritos por escola" e ainda "não se deve esquecer que é época de feiras de ciências e similares" (falta de verba para o planejamento?).

          E o cúmulo da desfaçatez: “…que certas categorias têm menos alunos porque nem todas as escolas municipais oferecem classes para todos os anos do Ensino Fundamental"

          Ah, então tá!…

          E o comunicado federativo se encerra com a previsão (ou seria ameaça?) de que tudo se repetirá no ano vindouro.

          Só ficou faltando, por ocasião da premiação final, e para que o evento terminasse com as honras que lhe são devidas, aquela farta distribuição de narizes circenses ao público contribuinte presente.

          Obs.: Este post é publicado também no endereço UOL, onde se admitem comentários, desde que de autoria claramente identificada.

criado por galeriadexadrez    22:46 — Arquivado em: Sem categoria

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