7/10/08
Aquilo que não se explica, a gente esconde
Em nota publicada em agosto na página on-line da Federação Paulista de Xadrez, o dublê de presidente da entidade tentou justificar o injustificável esquema de convites para as inscrições no malfadado Torneio Internacional da (falsa?) Amizade, realizado nos salões zumbis da rua Araujo.
O texto, co-assinado pelo ‘parceiro’ Herman Claudius, mais ocultava que esclarecia. Ali o escrivinhador enumerava os confusos critérios pelos quais fora composta a lista da pré-seleção dos amigos(?) que teriam o direito de participar do evento, pretensamente anunciado como “mais um marco na história do Xadrez brasileiro”.
Acontece que o escriba omitiu deliberadamente a informação que deitaria por terra quaisquer justificativas plausíveis para a esdrúxula pré-seleção discriminatória: a de que o parceiro fundamental para a concretização do evento foi o Governo do Estado, que por despacho do governador em exercício liberou à FPX, por meio da Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer, a verba de R$ 80.000,00 (uau!), recorde olímpico de captação do ano para os cofres federativos.
A tal Fundaçao Max Euwe, holandesa, em realidade, teve como parceira, pródiga, a nossa secretaria de estado, sempre ela mantenedora do viciado esquema "torneio fechado" de contabilidade duvidosa e "torneio aberto" de premiação sovina.
Tendo sido o evento abastecido por verba pública, como explicar o fundamento legal (e moral) da elaboração de lista de convidados, vedando, de forma discricionária, a este ou aquele contribuinte enxadrista interessado o direito de jogar o torneio?
Então tivemos o acinte: a trupe federativa se apropria de dinheiro do povo paulista, utilizando-o como se recursos privados fossem.
Como exemplo do escárnio, a mãe de um promissor enxadrista paulistano de 10 anos, teve a inscrição on-line do filho simplesmernte rejeitada por não ter sido o jovem pré-selecionado como ‘amigo’. E a rejeiçáo veio expressa com todas as letras em mensagem eletrônica expedida por um dos ‘luminares’ da organização do evento.
E some-se a isto a taxa escorchante exigida dos ‘amigos” para jogarem o torneio, cujos custos já estariam regiamente cobertos pelo polpudo numerário público embolsado.
O saudoso ex-campeão mundial e teórico enxadrista Max Euwe, pretensamente homenageado, deve estar se revirando na tumba quando a mesma trupe federativa se proclama “honrada em elevar o ideal” do grande mestre.
Afinal, o que esperar de uma entidade que acumula ao longo do ano quatro convênios estaduais que, somados, alcançaram $ 300 mil reais, mas cujos frutos não superam, por exemplo, o exemplar e democraticamente realizado Aberto de Registro de 2008?
A bissexta coluna “A palavra do presidente(?)”, inserida na página on-line da federação, bem que poderia ser atualizada para mencionar a celebração do quarto convênio estadual como mais uma prova da autoproclamada “respeitabilidade que a Federação conquistou junto aos órgão públicos”.
Pois é a mesma respeitabilidade que não passou incólume pelo crivo do Tribunal de Contas do Estado, cujo conselheiro Dr. Robson Marinho, em sentença proferida no processo TC-022117/026/07, apontou "diversas falhas na prestação de contas" da Federação Paulista de Xadrez.
Mas, qual! Uma atitude assim transparente permitiria ao público alvo dos eventos a inevitável comparação entre os elevados recursos obtidos e os indigentes resultados alcançados.
Prevalece no feudo federativo, espertamente, o lema rubens-ricuperiano de que aquilo que se pratica de ruim, ou de inexplicável, a gente esconde.
RECLAMEM COM O BISPO
Aconteceram em terras de Minas, nas últimas semanas, o Campeonato Brasileiro Escolar (Poços de Caldas), e o Campeonato Pan-americano Escolar (São Sebastião do Paraíso).
Se nos tabuleiros as coisas andaram corretas, fora deles, em ambos os eventos, é que o “bicho pegou”, como afirmaram alguns responsáveis por menores participantes: desorganização quanto ao cumprimento de horários, informações desencontradas, acomodações algumas lamentáveis (mormente quando o público alvo eram crianças, cujo todo zelo é pouco), entre outros percalços a lamentar (e superar).
Aos pais e mães cujos desabafos chegaram ao meu conhecimento, eu recomendaria em tese que colocassem tudo no papel, ou no correio eletrônico, e remetessem para a Confederação Brasileira de Xadrez. Mas, à atenção de quem? Procura-se em vão ali um ouvidor. Se nos últimos anos a administração fechou-se em copas, não seria agora, em final de gestão, que a coisa passaria a funcionar.
Restam duas alternativas: aguardarem as eleições estatutárias em dezembro para que "os futuros comandantes da CBX reconstruam o xadrez em nosso país com a dignidade que ele merece" (palavras do incansável e pai de enxadristas Cláudio Tamarozi - CXMC), ou, como sugiro, a alternativa de reclamarem com o bispo. Infelizmente.
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