22/2/08
Os dirigentes albinos têm medo do sol.
E saiu na página on-line da Federação Paulista de Xadrez mais uma cantilena auto-louvatória que caracteriza as aparições bissextas daquele que, como presidente, é bom enxadrista.
No cantinho sugestivamente alaranjado que lhe reserva o editor, comemora-se a celebração de mais três convênios da entidade com o governo do estado.
Do texto que se desenrola aos trancos e barrancos, num atropelo de vírgulas, pontos e parágrafos, dá para se extraírem algumas considerações que menciono a seguir.
O APRENDIZADO
Ao tornar pública a celebração dos tais convênios, a diretoria da FPX parece estar aprendendo com os dirigentes da Confederação Brasileira de Golfe.
É um bom sinal, mas também é claro que se trata de um aprendizado lento, com muita coisa ainda por assimilar.
Por exemplo, o comunicado bem que poderia não esconder os valores em que estão envolvidos aqueles contratos com o poder público. Vou aqui dar uma colaboraçãozinha no sentido de deixar a coisa mais transparente. Em números redondos, são estes os números que pingarão das burras oficiais:
a) $ 60.000,00 reais para o Festival do Interior (ou riopretense, melhor diria);
b) $ 68.000,00 reais para o Festival Paulista (ou americanense);
c) $ 65.000,00 reais para o Festival Santista (ou do litoral).
A FPX terá, então, algo em torno de $ 200.000,00 reais para serem usados e abusados em prol (ops!) do xadrez.
A CAPACITAÇÃO COMO SACERDÓCIO
E não apenas isso. Já que o presidente bom-enxadrista tanto se ufana agora em proclamar convênios, bem que poderia também retroagir só um pouquinho no tempo e trazer ao conhecimento da patuléia os quase $ 90.000,00 (isto mesmo, noventa mil) reais recebidos da prefeitura de Americana.
Recebidos para quê? Para a sempre desinteressada prática do sacerdócio federativo de capacitar docentes a ensinarem as crianças americanenses a jogar xadrez (aquelas da proclamada sudorese enxadrística).
Graças a esse farto dízimo municipal, espera-se que os voluntariosos docentes tenham se tornado ao menos experts em arrumar as peças no tabuleiro.
O BALCÃO DE CONVÊNIOS
É espertamente enganosa a afirmação contida no texto de que celebração de convênio com o poder público significa necessariamente credibilidade de qualquer entidade conveniada.
Ter acesso ao balcão de convênios do Terceiro Setor pressupõe muitas vezes conhecer bem o "caminho das pedras", que é uma via de mão dupla, ser favorecido pelo contato certo no lugar certo, o "lóbbizinho" dos interesses privados, uns lícitos, outros nem tão republicanos assim.
É fartamente noticiado que a maioria absoluta dos contratos firmados entre Executivo e Particular não são auditados, isto como uma das consequências da já comentada rarefação de fiscais e analistas do estado brasileiro. Está aí a "CPI das Ongs" a corroborar a existência do problema.
Mas assim é que, quando os azares da sorte faz com que determinado convênio caia no pente fino de uma auditoria, então vemos que a tal "lisura com que (a FPX) apresenta suas prestações de conta" não resiste a um olhar mais apurado.
Que o diga o eminente conselheiro do TC Renato Martins Costa, que deve ter uma visão mais refinada a cerca do conceito de credibilidade.
A INABILITAÇÃO PARA CONTRATAR
A impugnação das contas da federação pelo Tribunal de Contas por irregularidades documentais merece da parte do presidente bom-enxadrista muito mais que apenas frases de efeito dirigidas à comunidade federada, da qual ele se fez representar e, por tanto, a ela deve explicações.
É claro que tal impugnação, por si só, não impede por ora a assinatura de novos convênios, o que apenas ocorreria em caso da conveniada ser declarada inabilitada a contratar com o estado. E tal inabilitação advém de eventual e reiterado não-atendimento às decisões emanadas do tribunal.
O CALOTE EM SOROCABA
Se o zeloso presidente bom-enxadrista preocupa-se com a credibilidade da entidade que pretensamente dirige, deveria então dar um "pulinho" até a quase vizinha cidade de Sorocaba.
E nessa cidade deveria manter proveitoso entendimento com o dr. João Benedito Martins e com a dra. Roselene Luiz de Oliveira, ambos diligentes procuradores do município local.
A questão é que ambos movem dois processos de execução por dívida fiscal, nos quais aparecem como ré a Federação Paulista de Xadrez. Os números processuais são 602.01.2005.519477-0 e 602.01.2007.525447-0.
São valores pequenos, com poucos zeros à esquerda da vírgula, suficientes para serem quitados com alguma sobra de convênio, quem sabe.
De todo modo, o calote sorocabano não condiz com a apregoada respeitabilidade federativa. Urge eliminá-lo.
O FANTASMA PERMANENTE
Como última consideração extraída do texto do presidente bom-enxadrista, venho mencionar a permanência de um fantasma a assombrar determinada sala do conjunto Babi Barione na capital.
É uma visagem que teima em não desaparecer , e que aparece sempre arrastando uma placa com o número 02.068657-9/001. Este número refere-se a um processo de execução de sentença por falsificação de atas movido por uma enxadrista - esta, sim, de credibilidade - contra a entidade federativa.
E não vale o argumento de que na época os dirigentes eram outros, pois o fio condutor dos rumos da federação continua o mesmo, pela frente ou por trás dos panos.
Quem sabe a contratação de um bom exorcista pudesse resolver a questão…
OS DIRIGENTES ALBINOS
Na Idade Média os curandeiros afirmavam ser a exposição ao sol o melhor remédio para a cura de grande parte dos males. Daí a afirmação célebre do presidente Roosevelt, e que se transformou em epígrafe:
"A luz do sol é o melhor desinfetante".
O problema é que há uma espécie de dirigentes, cuja pele parece sofrer grave carência de melanina.
São os dirigentes albinos, cujas administrações fogem da luz do sol como o diabo foge da cruz.
Aí não há aprendizado de transparência que prospere. E o golfe vai angariando mais adeptos…
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